Na China, um trem passa por dentro de um prédio de apartamentos

Foto: Junyi Lou / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0

Em Chongqing, uma estação de monotrilho foi integrada a um edifício residencial. O resultado parece uma cena de ficção científica, mas existe uma explicação bastante prática por trás da construção.

O trem realmente passa dentro de um prédio?

Sim.

Em Chongqing, cidade conhecida pelo relevo extremamente acidentado, a estação Liziba, da Linha 2 do metrô/monotrilho, foi integrada a um edifício de 19 andares.

A ferrovia ocupa os níveis intermediários da construção: os andares 6 a 8 abrigam a estação, enquanto os cinco primeiros pavimentos possuem espaços comerciais e os andares superiores são residenciais. A estação entrou em operação em 2004.

Então o que você viu não é uma ilusão de perspectiva.

O trem realmente entra no edifício.

Mas existe uma parte da história que os outros não mostram.

Por que colocaram uma estação dentro de um prédio?

Aqui entra a história interessante.

Chongqing é uma cidade particularmente difícil para obras de infraestrutura. Seu território possui montanhas, encostas e grandes diferenças de altitude, fazendo com que ruas, edifícios e sistemas de transporte precisem ocupar diferentes níveis do espaço urbano.

Quando a Linha 2 chegou à região de Liziba, havia um problema: a ferrovia precisava passar por aquele ponto, mas o terreno também estava destinado à construção de um edifício.

A solução encontrada pelos engenheiros não foi escolher um dos dois.

“Tanto a ferrovia quanto o edifício residencial foram projetados e construídos simultaneamente, sem prioridade” Disse Ye Tianyi, engenheiro que liderou a equipe responsável pelo projeto.

O projeto da estação e do edifício foi desenvolvido de maneira integrada, permitindo que a estrutura ferroviária passasse pelo centro da construção.

E é aqui que a história fica ainda mais interessante.

O prédio não está “segurando” o trem

É fácil imaginar que os trilhos simplesmente foram encaixados dentro de um prédio convencional.

Não foi isso que aconteceu.

A estrutura que sustenta a ferrovia é independente da estrutura do edifício. Os pilares que sustentam o monotrilho possuem uma separação de aproximadamente 20 centímetros em relação à estrutura do prédio. Isso reduz a transmissão de vibrações entre os dois sistemas.

A própria Linha 2 utiliza rodas de borracha infláveis e sistemas projetados para reduzir vibração e ruído.

Ou seja, apesar de visualmente parecer que o trem está atravessando uma construção residencial, as duas estruturas foram projetadas para coexistir sem simplesmente depender uma da outra.

Foto: David290 / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0

E quem mora no prédio?

Essa provavelmente é a primeira pergunta de quem vê a cena:

“Mas não deve ser barulhento?”

A resposta é menos dramática do que parece.

A separação entre as estruturas e as características do sistema ferroviário foram justamente pensadas para reduzir vibrações e ruídos. Segundo Ye Tianyi, responsável pelo projeto, existe uma distância de 20 centímetros entre os pilares que sustentam a ferrovia e a estrutura do edifício.

Isso permite que o trem atravesse a estação sem transformar o edifício inteiro em uma caixa de ressonância.

O que Chongqing tem de tão diferente?

A cidade é frequentemente chamada de “cidade montanhosa” por causa de seu relevo. Em vez de se espalhar predominantemente sobre uma superfície plana, sua infraestrutura precisa se adaptar a encostas, rios e diferentes níveis de altitude.

É por isso que Chongqing ficou famosa por cenas urbanas que parecem impossíveis em outras cidades: estradas em diferentes alturas, edifícios conectados por passarelas e sistemas ferroviários atravessando a paisagem urbana.

Liziba é provavelmente o exemplo mais famoso dessa característica.

De solução de engenharia a ponto turístico

A estação não foi construída originalmente para virar uma atração turística.

Mas a imagem de um trem desaparecendo dentro de um edifício acabou se tornando uma das cenas mais reconhecíveis de Chongqing. Fotos e vídeos da estação ganharam enorme popularidade nas redes sociais, transformando Liziba em um ponto turístico.

Hoje, visitantes podem observar o trem a partir de uma área de observação especialmente preparada para isso.

Foto: Tanjintao2009 / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0

Uma cidade onde a ficção científica virou infraestrutura

A estação Liziba parece ter sido construída para impressionar turistas.

Mas a história é justamente o contrário.

Ela nasceu de um problema de espaço.

Em uma cidade onde montanhas, rios, edifícios e transporte disputam o mesmo espaço, os engenheiros encontraram uma solução pouco convencional: em vez de fazer a ferrovia contornar o prédio ou demolir a construção, fizeram os dois coexistirem.

O resultado acabou se tornando um dos símbolos de Chongqing.

E talvez essa seja a parte mais interessante da cidade: muitas das coisas que parecem absurdas à primeira vista são, na verdade, soluções bastante práticas para um lugar que simplesmente não pode ser planejado como uma cidade plana.

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