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Primeira viagem à China: O que saber antes de embarcar

Turista com mala caminhando por um aeroporto na China, com sinalização em chinês e inglês

Viajar para a China pela primeira vez exige alguns preparativos que vão além de reservar passagem e hospedagem. Documentos, pagamentos, internet, aplicativos e transporte funcionam de maneiras que podem ser diferentes do que um brasileiro está acostumado, e deixar essas questões resolvidas antes do embarque pode evitar boa parte dos problemas durante a viagem.

Informações verificadas em agosto de 2026. Regras de entrada, aplicativos e serviços podem mudar; confira as fontes oficiais antes da viagem.

Documentos, entrada e hospedagem: o que resolver antes de viajar

Antes de comprar passeios ou instalar aplicativos, vale conferir as regras de entrada em vigor na data da viagem. Elas podem mudar, e uma informação correta hoje pode deixar de valer alguns meses depois.

Em agosto de 2026, brasileiros com passaporte comum podem entrar na China continental sem visto para viagens de turismo de até 30 dias. A política atual está prevista para permanecer em vigor até 31 de dezembro de 2026, e o período de permanência começa a ser contado a partir do dia seguinte à entrada no país.

Para utilizar essa isenção, o passaporte comum precisa estar válido pelo menos durante todo o período previsto de permanência. Quem pretende ficar mais de 30 dias ou viajar para finalidades não contempladas pela política deve verificar antecipadamente qual tipo de visto é necessário.

Outro passo é o cartão de entrada de estrangeiros. Desde novembro de 2025, ele pode ser preenchido pela internet antes da chegada à China, embora continue sendo possível completá-lo no próprio ponto de entrada por meios eletrônicos ou em papel.

Também existe uma obrigação de registro da hospedagem. Para quem fica em hotel, o próprio estabelecimento normalmente faz o registro usando o passaporte do hóspede. Já quem permanece em uma residência ou outro tipo de acomodação fora de hotéis deve providenciar o registro em até 24 horas após a chegada, conforme as regras locais. Desde março de 2026, um sistema de registro on-line está sendo testado em algumas regiões e deve ser gradualmente expandido pelo país.

Como essas regras podem mudar, confira novamente as informações da Administração Nacional de Imigração da China antes de embarcar, mesmo que a viagem tenha sido planejada com meses de antecedência.

Inspeção migratória no Aeroporto de Shanghai Pudong
Sinalização para a inspeção migratória no Aeroporto Internacional de Shanghai Pudong.
Foto: MNXANL, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0. Imagem recortada.

Planeje o roteiro sem tentar conhecer a China inteira

A China é enorme, e um erro fácil na primeira viagem é tentar encaixar cidades demais em poucos dias. Mesmo com uma extensa rede de trens de alta velocidade, cada deslocamento envolve tempo para chegar à estação, passar pelos controles, embarcar e depois seguir até a hospedagem.

Para uma primeira viagem, costuma fazer mais sentido escolher poucas cidades e conhecê-las melhor, agrupando destinos que tenham conexões convenientes entre si. Pequim e Xangai, por exemplo, estão ligadas por uma das principais linhas de alta velocidade do país; outras regiões, como o delta do Yangtzé, concentram várias cidades conectadas por uma rede ferroviária muito densa.

Na hora de montar o roteiro, não olhe apenas para a distância no mapa. Compare o tempo total de deslocamento de trem e avião, confira de qual estação ou aeroporto você realmente sairá e reserve alguma margem entre uma cidade e outra.

Em outras palavras: numa primeira viagem, ver menos lugares pode significar aproveitar muito mais a China.

Instale os aplicativos importantes antes de viajar

Na China, o celular pode concentrar boa parte da viagem: pagamentos, transporte, mapas, comunicação e compra de passagens. Por isso, vale instalar e configurar os principais aplicativos ainda no Brasil, em vez de deixar tudo para depois da chegada.

Para uma primeira viagem, os mais úteis tendem a ser:

  • Alipay e WeChat — pagamentos e acesso a diferentes serviços;
  • AMap (Gaode Maps) — mapas, rotas e transporte público;
  • DiDi — corridas de táxi e carros por aplicativo;
  • China Railway 12306 — sistema oficial para compra de passagens de trem;
  • Trip.com — reservas de hotéis, voos e outros serviços de viagem;
  • um aplicativo de tradução, como Baidu Translate ou outra ferramenta que funcione bem com chinês.

Alguns deles já oferecem interfaces ou recursos em inglês para estrangeiros. O DiDi, por exemplo, aceita cadastro com número de telefone estrangeiro e cartões internacionais, enquanto o 12306 permite que viajantes estrangeiros criem uma conta com o passaporte e comprem passagens pela versão em inglês.

Não é necessário transformar o celular numa coleção de vinte aplicativos chineses antes da viagem. O mais importante é ter previamente configuradas as ferramentas que você realmente vai depender para pagar, encontrar endereços, se locomover e reservar transportes. Isso também dá tempo para resolver eventuais problemas de cadastro ou verificação antes de estar do outro lado do mundo.

Prepare-se para pagar de um jeito diferente

Os pagamentos por celular fazem parte do cotidiano na China, e chegar ao país sem nenhuma forma de pagamento digital configurada pode tornar a viagem menos prática. Para estrangeiros, as duas principais opções são Alipay e WeChat Pay, que permitem vincular cartões bancários internacionais, incluindo Visa e Mastercard.

Vale fazer esse cadastro antes de embarcar, adicionando o cartão e concluindo eventuais etapas de verificação enquanto você ainda está no Brasil. Assim, ao chegar, será possível pagar em muitos estabelecimentos simplesmente escaneando um QR Code ou apresentando o próprio código de pagamento.

Apesar da predominância dos pagamentos móveis, dinheiro em espécie continua sendo uma opção. Os guias oficiais chineses para visitantes estrangeiros apresentam pagamentos móveis, cartões bancários e dinheiro em renminbi (RMB) como formas disponíveis de pagamento. Cartões internacionais também são aceitos em determinados estabelecimentos, mas a aceitação não é tão universal quanto a dos pagamentos móveis.

Por segurança, o ideal é não depender de uma única opção. Para uma primeira viagem, vale ter uma carteira digital configurada, um cartão internacional e algum dinheiro em espécie como alternativa caso um pagamento pelo celular não funcione.

Como taxas, limites e cartões compatíveis podem mudar, confira as condições do Alipay, WeChat Pay e do seu banco novamente antes da viagem.

QR codes do Alipay e WeChat Pay para pagamentos móveis na China
QR codes do Alipay e WeChat Pay usados para pagamentos móveis na China.
Foto: Harald Groven, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0.

Pense na internet antes de chegar

A internet é outro ponto que vale resolver antes do embarque. Na China continental, diversos sites, redes sociais e serviços estrangeiros têm acesso limitado ou bloqueado, o que pode afetar desde comunicação até aplicativos e serviços bancários que você costuma usar no Brasil.

Para ter conexão móvel durante a viagem, uma opção é comprar um SIM card chinês. China Mobile, China Unicom e China Telecom são as três principais operadoras, e estrangeiros podem contratar uma linha apresentando o passaporte. Em alguns aeroportos e centros de atendimento ao visitante já existem planos de curta duração voltados a quem ficará poucos dias no país.

Outra possibilidade é utilizar roaming internacional ou um eSIM de viagem, dependendo do seu aparelho e da operadora escolhida. Antes de contratar qualquer opção, confira cobertura, quantidade de dados, preço e quais serviços estarão acessíveis durante a viagem.

Também não é uma boa ideia deixar para pesquisar formas de contornar bloqueios depois de chegar. Autoridades de outros países alertam que o uso de serviços para contornar as restrições locais de internet pode ter implicações legais na China.

Como pagamentos, mapas, traduções e transporte podem depender do celular, o mais importante é chegar ao país já sabendo como você terá acesso à internet e quais aplicativos essenciais estarão disponíveis na conexão escolhida.

Como se locomover dentro das cidades e entre elas

Nas grandes cidades chinesas, o metrô costuma ser uma das opções mais práticas para turistas. Estrangeiros podem comprar bilhetes avulsos nas estações e, dependendo da cidade, também utilizar Alipay ou WeChat para acessar o transporte público. As formas disponíveis variam localmente, então vale conferir o sistema da cidade que você pretende visitar.

Para trajetos em que o metrô não resolve, o DiDi é uma opção prática de transporte por aplicativo. Ele possui recursos voltados a usuários estrangeiros e pode ser especialmente útil quando o destino é difícil de localizar ou está longe de uma estação.

Entre cidades, a extensa rede ferroviária chinesa faz dos trens de alta velocidade uma opção importante. Pelo sistema oficial China Railway 12306, viajantes estrangeiros podem comprar passagens usando o passaporte. O mesmo documento utilizado na compra deve ser apresentado nos procedimentos de verificação e embarque.

Um detalhe que merece atenção é o nome exato da estação. Grandes cidades podem ter várias estações ferroviárias, muitas vezes bastante distantes umas das outras. Antes de sair do hotel, confirme no bilhete qual é a estação correta e reserve tempo suficiente para chegar, localizar a entrada e passar pelos procedimentos de embarque.

Para uma primeira viagem, não é necessário dominar todos os sistemas de transporte antecipadamente. Ter mapas, DiDi e 12306 configurados no celular, além de conferir cada trajeto com antecedência, já resolve boa parte das situações.

Trem de alta velocidade Fuxing parado em uma plataforma da Estação Ferroviária de Guangzhou
Trem de alta velocidade Fuxing parado na Estação Ferroviária de Guangzhou.
Foto: ChenSimon, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0. Imagem recortada.

Idioma: dá para viajar sem falar mandarim?

Sim, é possível viajar pela China sem falar mandarim, especialmente nas grandes cidades e nos principais destinos turísticos. Mas não é uma boa ideia contar que sempre haverá alguém falando inglês quando você precisar.

O celular ajuda bastante a diminuir essa barreira. O Baidu Translate, por exemplo, permite traduzir texto, voz e imagens, enquanto o Pleco funciona como um dicionário especializado em chinês que pode ajudar a identificar palavras e caracteres. O próprio WeChat também possui recursos de tradução para mensagens e imagens.

Antes da viagem, vale salvar no celular o nome e o endereço do hotel em caracteres chineses, além dos nomes dos principais lugares que pretende visitar. Isso facilita mostrar o destino a motoristas, funcionários de estações ou outras pessoas caso a tradução pelo celular não resolva.

Também ajuda aprender algumas expressões muito básicas, mas não é necessário dominar mandarim para fazer uma primeira viagem. Com tradução, mapas e endereços preparados, a maior parte das situações práticas pode ser resolvida mesmo sem falar mandarim.

Pequenos costumes que evitam surpresas

Não é necessário decorar um manual de etiqueta antes de viajar, mas conhecer alguns hábitos ajuda a evitar situações estranhas. Nas refeições, por exemplo, os pratos costumam ser compartilhados, e em algumas refeições há pauzinhos próprios para servir a comida, separados daqueles usados individualmente. Quando eles estiverem disponíveis, o ideal é utilizá-los em vez dos pauzinhos que você leva à boca.

Também existem alguns cuidados simples com os pauzinhos. Um dos mais conhecidos é não deixá-los espetados verticalmente na comida. Bater os pauzinhos na borda da tigela também é considerado falta de educação.

Outro costume que pode chamar a atenção de brasileiros é a presença frequente de água fervida, quente ou morna. Hotéis e outros estabelecimentos costumam disponibilizar chaleiras, garrafas térmicas ou água já fervida, e a preferência por água quente faz parte do cotidiano de muitas pessoas.

Esses hábitos variam conforme a região, o ambiente e as pessoas envolvidas. Para uma primeira viagem, observar como os locais agem e evitar tratar diferenças culturais como regras rígidas costuma ser mais útil do que tentar memorizar dezenas de normas de etiqueta.

Mesa com diversos pratos de frutos do mar servidos em uma refeição chinesa compartilhada
Diversos pratos servidos em uma refeição chinesa compartilhada.
Foto: Kunfang98927, via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

Checklist antes de embarcar

Antes de sair de casa, vale fazer uma última conferência. Para uma primeira viagem à China, eu deixaria estes pontos resolvidos:

  • Passaporte e regras de entrada conferidos, incluindo a validade exigida e as condições da isenção de visto vigente na data da viagem.
  • Cartão de entrada preenchido, quando aplicável.
  • Hospedagem reservada, com nome, endereço e telefone do hotel salvos também em chinês.
  • Alipay ou WeChat Pay configurado, além de um cartão internacional e alguma alternativa de pagamento.
  • Plano de internet definido, seja roaming, eSIM ou SIM local.
  • Aplicativos essenciais instalados e testados, especialmente mapas, tradução, transporte e pagamentos.
  • Passagens entre cidades organizadas e estações ou aeroportos conferidos. O 12306 mantém uma versão em inglês para consulta e compra de passagens ferroviárias.
  • Cópias digitais dos documentos importantes armazenadas em local acessível.
  • Seguro de viagem, caso opte por contratar cobertura para despesas médicas e outros imprevistos.
  • Endereços e reservas importantes disponíveis mesmo sem internet, caso a conexão falhe.

Não é preciso prever cada detalhe da viagem. A ideia é garantir que documentação, dinheiro, internet e transporte — justamente os pontos que podem causar mais transtorno logo após a chegada — já tenham um plano principal e uma alternativa.

Antes de embarcar, vale deixar o básico resolvido

Com essas questões resolvidas, sobra mais espaço para aproveitar a viagem sem perder tempo tentando descobrir tudo depois da chegada. E, como regras e serviços podem mudar, vale conferir novamente as informações mais importantes poucos dias antes de embarcar.

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